Adolescente de 16 anos é encontrada morta com sinais de tortura em chácara em Porto Velho
No local, a madrasta da jovem, I. F. S. F., conduziu os policiais até o interior da casa, onde a adolescente foi encontrada deitada sobre uma cama, coberta por um lençol, já sem sinais vitais.
O corpo foi removido para o IML Uma adolescente de 16 anos, identificada como M.I.S.S. foi encontrada morta na noite desta terça-feira (24), em uma chácara localizada na rua Afonso Brasil, setor Chacareiro, bairro Jardim Santana, em Porto Velho. O caso, que apresenta fortes indícios de tortura, cárcere privado e maus-tratos, resultou na prisão do pai, da madrasta e da avó paterna da vítima.
De acordo com informações da guarnição acionada pelo Centro Integrado de Operações Policiais (CIOP), por volta das 19horas de ontem, 24, a equipe PM se deslocou até o endereço após denúncia de que a adolescente, que estaria desaparecida há cerca de três meses, teria retornado à residência com diversos ferimentos e evoluído a óbito por volta das 18h30.
No local, a madrasta da jovem, I. F. S. F., conduziu os policiais até o interior da casa, onde a adolescente foi encontrada deitada sobre uma cama, coberta por um lençol, já sem sinais vitais. A área foi imediatamente isolada para preservação da cena, e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado para constatar oficialmente o óbito.
Lesões graves e indícios de tortura
Após os trabalhos periciais, foram constatados diversos indícios de tortura. A adolescente apresentava ferimentos graves por todo o corpo, incluindo ossos expostos — o rádio do braço esquerdo e um osso na região da clavícula —, além de lesão na perna com presença de larvas (miíase), feridas nas costas compatíveis com permanência prolongada deitada, dente frontal quebrado e sinais evidentes de desnutrição severa.
Segundo a perita, era impossível que a vítima tivesse chegado ao local andando, devido ao estado extremamente debilitado em que se encontrava. Também afirmou que, diante da gravidade das lesões, a jovem sentia intensas dores, sendo improvável que não houvesse gritos audíveis.
Durante averiguação na área externa da residência, os policiais localizaram uma fogueira com roupas e grande quantidade de fraldas descartáveis parcialmente queimadas. O material foi apagado pela equipe. A quantidade de fraldas encontradas levantou suspeita de que a adolescente permanecia no local há período muito superior ao informado pela madrasta, reforçando indícios de tentativa de ocultação de provas.
Versões contraditórias
Em depoimento preliminar, a madrasta apresentou versões conflitantes. Inicialmente afirmou que a enteada estava desaparecida há mais de dois meses, mas não havia registro de boletim de ocorrência. Disse que a adolescente retornou a pé, descalça e com vestido vermelho, extremamente ferida e debilitada, e que optou por realizar apenas cuidados caseiros, sem acionar atendimento médico imediato.
A avó paterna, B.M. S., confirmou que encontrou a neta em estado grave, mas também não buscou socorro. Ambas apresentaram contradições quanto à presença do pai da vítima na residência.
Vizinhos relataram que não viam a adolescente desde o período natalino. Um deles afirmou que, ao questionar os pais sobre o paradeiro da jovem, recebia como resposta que ela estaria em retiro religioso ou na casa de familiares.
Uma testemunha, filha da madrasta, declarou que a adolescente já teria sido vítima de maus-tratos anteriormente, inclusive com registro policial.
Confissão do pai
Após diligências, o pai da adolescente, C. J. S., foi localizado na casa de sua mãe. Ele confessou que a filha não estava desaparecida e que, após ela fugir de casa meses atrás, foi trazida de volta, passando a ser mantida em cárcere privado.
Segundo relato, ele a amarrava todas as noites à cama com fio elétrico, prendendo seus braços, e durante o dia a deixava trancada dentro da residência. Afirmou que a rotina durou mais de dois meses. No entanto, não soube explicar as múltiplas lesões graves e os ossos expostos.
Testemunhas também relataram que o pai teria cortado o cabelo da adolescente como forma de castigo, sob alegação de que ela estava com piolhos.
Prisões e enquadramento
Diante dos fatos e das evidências periciais, a polícia concluiu haver indícios da participação do pai, da madrasta e da avó tanto por ação quanto por omissão nos crimes de tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro, praticados no contexto de violência doméstica.
Os três receberam voz de prisão, foram informados de seus direitos constitucionais e encaminhados à Central de Flagrantes para as providências cabíveis.
Durante a ocorrência, foram apreendidos aparelhos celulares, documentos pessoais e cartões bancários em posse das conduzidas.





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